domingo, 24 de maio de 2026

SOBRE A TORRE

Uma torre no
Meio do mato
Beira de ribanceira 
Um passo fatal

Ervas daninhas
Poeiras e ventanias
Colorem a torre
Verde mortuário 

Nuvens densas
Criticam ao berros
"Por que musa? 
Por que deusa?

Sua puta foligem
De cigarros tostados
Incendiram meu 
Status de homem másculo"

A torre tem memória 
Sua paredes barrocas
Lembram cada gota
Que ali restaram mortas

Um certo outro
Quem morava na torre
Humilhava a torre
Com o jeito marmota

Até foto com o ex do atual
Dono da torre tiraram
As roupas, na minha cama 
Deitaram, sem calma cada qual

A torre testemunha muda
Expulsou a força 
O verme ruim
Ao som das ameaças das unhas

Isso no início do verão 
Agora sopra cedo inverno
Mas as trapaças acumuladas
5 repetidas estações de engano

Modesta torre foi avistada
Tratada, curada, reerguida 
Purificada, amaciada, perdida
Louvores seu único abraço amigo

Resta agora torre e dono
Quer esconder a torre
Quer destruí-la, quer abandoná-la
Seria esse o sonho da danada?

Amontada em sonhos pisoteados
A torre entorta no chão 
Murcha em base mole
Seu choro amacia o grito do cão. 

Patrick Lira.