Meio do mato
Beira de ribanceira
Um passo fatal
Ervas daninhas
Poeiras e ventanias
Colorem a torre
Verde mortuário
Nuvens densas
Criticam ao berros
"Por que musa?
Por que deusa?
Sua puta foligem
De cigarros tostados
Incendiram meu
Status de homem másculo"
A torre tem memória
Sua paredes barrocas
Lembram cada gota
Que ali restaram mortas
Um certo outro
Quem morava na torre
Humilhava a torre
Com o jeito marmota
Até foto com o ex do atual
Dono da torre tiraram
As roupas, na minha cama
Deitaram, sem calma cada qual
A torre testemunha muda
Expulsou a força
O verme ruim
Ao som das ameaças das unhas
Isso no início do verão
Agora sopra cedo inverno
Mas as trapaças acumuladas
5 repetidas estações de engano
Modesta torre foi avistada
Tratada, curada, reerguida
Purificada, amaciada, perdida
Louvores seu único abraço amigo
Resta agora torre e dono
Quer esconder a torre
Quer destruí-la, quer abandoná-la
Seria esse o sonho da danada?
Amontada em sonhos pisoteados
A torre entorta no chão
Murcha em base mole
Seu choro amacia o grito do cão.
Patrick Lira.
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